Quarta-feira, Janeiro 31, 2007

Volta à ativa

Após o recesso de janeiro, este Blog volta a acompanhar as definições acerca da TV Digital.

Sexta-feira, Dezembro 22, 2006

Recesso de fim de ano

Este blog entra em recesso até o início de janeiro, quando volta a acompanhar - e a fiscalizar - a transição da televisão analógica para a digital.

Boas festas!

Sexta-feira, Dezembro 15, 2006

A necessária reorientação política da TV digital

O Intervozes - organização que mantém este blog - acredita que a publicação do Decreto 5.820 e a conseqüente definição pela tecnologia japonesa, embora tenha inviabilizado parcialmente a TV digital enquanto um instrumento de desenvolvimento da ciência e tecnologia nacionais, não encerra o debate político sobre o processo de transição da televisão. Diversas questões relativas à própria tecnologia e ao modelo de serviços permanecem indefinidas e precisam ser objeto de debate público.

Ainda no campo tecnológico, é preciso definir por incorporar as inovações desenvolvidas pelo Brasil e o padrão de compressão MPEG-4 (ou H.264), garantias de viabilidade técnica para os serviços interativos e uma maior otimização do espectro de freqüências. Ambas as definições são cruciais para que sejam possíveis, mesmo que à médio prazo, algumas das aspirações do SBTVD - Sistema Brasileiro de TV Digital.

As decisões sobre o uso do espectro também são centrais na transição tecnológica. Com a “consignação” de outra fatia de 6 MHz aos atuais radiodifusores, reduziu-se substancialmente o potencial de ingresso de novos programadores e, simultaneamente, violou-se a Constituição Federal e a Lei 4.117/62, ilegalidades inaceitáveis para uma nação democrática. Por isso – e também pelo fato da legislação atual não permitir a prestação de serviços interativos na radiodifusão, um entrave à inclusão social – a concessão dos canais para a transmissão digital só pode ser feita a partir da instituição de um novo marco regulatório para o setor, feito à luz da convergência tecnológica e do interesse público.

Nesse sentido – e em função da prevalência dos interesses privados nas decisões de Estado tomadas até o presente momento - a reorientação política da transição tecnológica deve começar pela imediata abertura do Fórum de TV Digital para a participação da sociedade civil, com o mesmo número de vagas que possuem outros segmentos da sociedade, como os radiodifusores e a indústria de eletrônicos.

Segunda-feira, Dezembro 11, 2006

O road show e a delegação oficial - 2

Apesar de reconhecer ter feito parte da delegação brasileira que viajou ao Chile e ao Peru para apresentar o padrão japonês aos países vizinhos, as Organizações Globo afirmam ter arcado integralmente com os custos das viajens de seus funcionários.

Quinta-feira, Dezembro 07, 2006

O MPEG-2 dos sonhos

A não adoção do MPEG-4 é tudo o que a Globo sempre sonhou. Com isso, será possível justificar que a transmissão em HDTV ocupará fatia considerável dos 6 MHz consignados pelo governo, o que consequentemente não causaria desperdício substancial de espectro.

Com o MPEG-4 - que tem capacidade de compressão maior - mesmo que as emissoras transmitam uma programação em alta definição, mais da metade do canal de 6 MHz seria desperdiçado, o que inclusive pode ser considerado ilegal: afinal, todo bem público (como o espectro) deve ser otimizado ao máximo de sua potencialidade.

Segunda-feira, Dezembro 04, 2006

O road show e a delegação oficial

Por mais que esteja cada vez mais claro que o padrão “nipo-brasileiro” não sairá do papel, o governo segue se esforçando para dizer aos demais países sul-americanos que o melhor que eles têm a fazer é seguir o caminho do Brasil.

Na última semana, por exemplo, representantes da Casa Civil e do Ministério das Comunicações fizeram um “road show” sobre o padrão japonês para os governos e empresas chilenas e peruanas.

Pelas informações de organizações chilenas, entretanto, a tendência é que o país do Pacífico fique mesmo com o padrão europeu.

Mas curiosa mesmo é a composição da delegação brasileira. Além dos representantes políticos dos ministérios, a delegação oficial é composta por alguns engenheiros da Globo, que viajam com os custos pagos com dinheiro público.

Quarta-feira, Novembro 29, 2006

MPEG-4 indisponível?

Também não é verdade que o MPEG-4 só estará disponível em meados de 2007. Já existem codecs desse tipo: o próprio WM-9 (Windows Media), que muitos usam em seus PCs, é uma variante do MPEG-4.

E, mesmo que estivessem só disponíveis no ano que vem, qual seria o problema? O cronograma de transição não diz que as primeiras transmissões devem acontecer só no final de 2007?

O funeral do Ginga e do MPEG-4

Ainda sobre o fato do governo ter aparentemente abandonado a incorporação do MPEG-4 e do middleware brasileiro ao SBTVD:

1. Adotar o MPEG-2 significa inviabilizar, no futuro, o MPEG-4, ao contrário do que afirma o ministro das Comunicações. Isso porque embora o MPEG-4 seja uma evolução do MPEG-2, ao colocar no mercado receptores com MPEG-2, estes nunca serão capazes de decodificar um streaming MPEG-4.


A Europa está enfrentando este mesmo problema: eles bem que gostariam de adotar HDTV em MPEG-4, mas têm o legado de milhões de receptores com MPEG-2 que ficariam inoperantes se eles resolvessem mudar pra MPEG-4. É um problema básico de compatibilidade.

2. Da mesma forma, começar as transmissões com o middleware japonês (BML) significa dizer adeus ao middleware brasileiro, conhecido como Ginga.


Primeiro, porque o protocolo de comunicação do ISDB (Data Carousel) não suporta estruturas complexas, necessárias a um middleware como o desenvolvido pela UFPB e pela PUC-Rio (que é baseado no modelo do Object Carousel do DVB).

Segundo, porque para que o receptor pudesse posteriormente incorporar o Ginga, precisaria necessariamente ter capacidade de processamento (CPU) e memória para suportar o upgrade do software. E, se a intenção é vender receptores simples em grande escala, será impossível fazer um upgrade nestes mesmos receptores.

Terça-feira, Novembro 28, 2006

100% japonês - 3

O que fica evidente com o abandono do Middleware brasileiro e do MPEG-4 é que houve um uso político dos desenvolvimentos brasileiros – e dos cientistas - para garantir que a decisão fosse aceita.

Agora, quando as verdadeiras intenções da dupla Globo/Hélio Costa transparecem, estes mesmos pesquisadores - que apoiaram a decisão do governo, inclusive - voltam a ficar com as mãos abanando.

100% japonês - 2

A mudança no discurso sobre a incorporação de tecnologia nacional ao ISDB não é algo inesperado. O Intervozes e outras organizações da sociedade civil alertam desde o início do ano que esta seria a tendência caso não houvesse garantias concretas para que tais inovações fossem adotadas. E, apesar do alerta, as decisões foram tomadas sem qualquer garantia nesse sentido.

Na cerimônia de assinatura do Decreto 5.802, Hélio Costa bradou que tanto o Middleware quanto o MPEG-4 fariam parte do Sistema Brasileiro de TV Digital. Este, no caso, seria o “diferencial” do SBTVD, que o colocaria tecnologicamente “à frente de qualquer outro padrão”.

Agora, Costa quer colocar a culpa da inexistência do MPEG-4 (que antes ele dizia ser um desenvolvimento brasileiro) nas costas dos europeus. Entretanto, vale dizer, o MPEG-4 foi implantado na Europa através da TV por satélite. Ou seja,o padrão existe e funciona na prática
.

Segunda-feira, Novembro 27, 2006

100% japonês

Apesar de ser prioridade das pesquisas do SBTVD por possibilitar a inclusão social de milhões de brasileiros, a interatividade na TV Digital não deve acontecer tão cedo, especialmente se depender da vontade do atual ministro das Comunicações.

De acordo com informações do próprio Hélio Costa, os primeiros conversores (equipamentos que permitem receber o sinal digital em televisores analógicos), devem vir sem o middleware, software que garante a interatividade.

O middleware, em tese, era a principal inovação brasileira que seria incorporada ao padrão japonês (ISDB) .

Mas não é só o middleware que não sairá do papel. O MPEG-4, padrão de compressão que permite maior otimização do espectro, também deve ser abandonado em detrimento do MPEG-2. Assim, as possibilidades de maior democratização do acesso ao espectro diminuem.

Sem middleware e sem MPEG-4, o sistema nipo-brasileiro será praticamente igual ao japonês.

Quinta-feira, Novembro 23, 2006

Quem defenderá o interesse público?

Nesta quinta foi criado oficialmente o Fórum Brasileiro de TV Digital, em tese o órgão responsável pela administração do SBTVD (Sistema Brasileiro de TV Digital). Como já era sabido, o Fórum não conta com a participação da sociedade civil.

Ao todo, são 18 integrantes:

- cinco radiodifusores (Globo, SBT, Record, Band e Rede TV!).
- um do setor de software (Potis);
- quatro do setor de receptores (Philips, Gradiente, Semp e Samsung);
- dois das universidades (UFRG e PUC-Rio);
- dois da indústria de transmissores (Linear e Telavo);
- quatro de emissoras estatais e públicas (TV Câmara, TV Senado, Radiobrás e TV Cultura).

Quinta-feira, Novembro 16, 2006

Fórum da TV Digital sem a sociedade civil

Conforme anuciou publicamente o assessor jurídico do Ministério das Comunicações em evento realizado na última terça em Brasília, a constituição formal do Fórum da TV digital deve acontecer em 23 de novembro, com aprovação do estatuto e indicação de seus membros.

O Fórum, em teoria, deve dar seqüência às atividades iniciadas em agosto pela Câmara Executiva da TV Digital.

No anúncio do assessor, chama a atenção, uma vez mais, o desprezo pela convivência democrática, que seria refletida, no caso do Fórum, em uma composição representativa dos diferentes segmentos da sociedade.

Os radiodifusores e a indústria de receptores (televisores e set top boxes) devem ter quatro assentos permanentes cada um. A indústria de transmissores terá duas vagas, assim como a universidade. A última vaga deve ficar para a indústria de softwares.

Se consumada, a ausência da sociedade civil no Fórum contradiz inúmeras declarações da Casa Civil de que a instância contaria com representação ampla, inclusive com membros das organizações que trabalham com o tema da comunicação.

Uma destas declarações aconteceu no recente Congresso da ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura), realizado em São Paulo, onde o assessor da ministra Dilma Roussef, André Barbosa, garantiu que as entidades da sociedade civil teriam vaga garantida no Fórum.

Terça-feira, Novembro 14, 2006

Conversor: quem vai comprar? (2)

Especialistas da indústria ouvidos por este blog afirmam que o valor indicado pela Gradiente para a produção do decodificador (R$ 300) se refere ao custo do fabricante e não o preço de venda para o consumidor.

Segundo a fonte, se este é o preço com o qual o aparelho sai da fábrica, o consumidor deve pagar pelo menos 50% a mais para comprá-lo.